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Felca, redes sociais e o que a família não quer ver

por | ago 11, 2025 | Sociedade | 0 Comentários

Por Eduardo

Nos últimos dias, o caso levantado pelo youtuber Felca sobre a adultização e exploração infantil nas redes sociais ganhou enorme repercussão. O vídeo, com quase uma hora de duração, expôs de forma direta como menores de idade — em especial meninas — têm sido expostas, exploradas e transformadas em produto de engajamento e lucro, muitas vezes com a conivência de influenciadores e a cegueira deliberada das plataformas.

Felca denunciou casos concretos, como o de Kamyla Santos, que desde os 12 anos aparecia em conteúdos de cunho sugestivo, e o de Hytalo Santos, investigado pelo Ministério Público da Paraíba. O vídeo mostrou não apenas imagens, mas também a engrenagem: algoritmos que impulsionam conteúdos sexualizados de menores, códigos usados por pedófilos nos comentários e um mercado subterrâneo que floresce debaixo do nariz de todos.

A repercussão foi imediata. Contas deletadas, políticos prometendo leis, projetos pautados na Câmara e no Senado, hashtags mobilizando indignação coletiva. Tudo isso soa importante, mas é também parte de um ritual que já conhecemos: o escândalo explode, a pressão cresce, algumas ações pontuais são tomadas, e aos poucos a poeira baixa — até a próxima tragédia moral.

O ponto cego da discussão

No calor do debate, surgiram dois campos principais de acusação:

O problema é das redes sociais. São as plataformas que criam o ambiente, que recomendam conteúdos e que lucram com o engajamento. O problema é do Estado. Falta fiscalização, falta punição, falta aparato legal para coibir o crime e proteger os menores.

Ambos têm razão em parte. Mas ambos erram ao achar que resolver o problema significa agir apenas nesses dois eixos.

A família — que deveria ser a primeira linha de defesa — está cada vez mais ausente, desatenta ou até cúmplice. Em muitos casos, pais entregam celulares a filhos de 8, 10, 12 anos sem supervisão, sem limites, sem formação moral que permita à criança reconhecer o que é abusivo ou perigoso.

Outros, pior, incentivam comportamentos e exposições que rendem curtidas, seguidores e até renda — normalizando aquilo que, décadas atrás, seria impensável.

Quando a defesa cede por dentro

Plataformas e governos têm responsabilidades claras e devem ser pressionados. Mas o ponto é: nenhuma lei, algoritmo ou moderação pode substituir a vigilância, o cuidado e a educação moral que começam no lar.

A família que não enxerga o mal que cerca seus filhos — seja por ingenuidade, omissão ou busca de vantagens — abre a porta para que todos os outros agentes (plataformas, Estado, predadores) encontrem terreno fértil.

Sem essa barreira inicial, qualquer ação posterior será apenas paliativa. É como instalar câmeras de segurança depois que a porta da frente foi retirada das dobradiças.

O que fazer?

Resgatar a autoridade e o dever dos pais como educadores e protetores. Recolocar limites claros para o uso de tecnologia, com supervisão e tempo restrito. Formar consciência moral para que crianças reconheçam o abuso e não se tornem vítimas silenciosas. Apoiar medidas legais, sim, mas sem terceirizar toda a responsabilidade.

Felca apontou para a ferida. Agora, cabe encarar que ela não está só na tela do celular ou na omissão do Estado — ela também está no abandono, muitas vezes confortável, do papel mais básico e insubstituível da família.

Nossos alunos de Conservadorismo já entenderam, seja você mais um aluno.

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